PROENÇA-A-VELHA
Evolução Histórica e Administrativa Até 1218 pertenceu a Idanha-a-Velha, a antiga Egitânia. 1218 - Em Abril de 1218 recebe foral de D. Pedro Alvites, mestre da Ordem do Templo, em carta concedida com beneplácito de D. Afonso II e D. Urraca.
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Dez 09

 


História da presente realidade irreal

Era Noite de Natal

... .. E todos iam chegando.

Cada um trazia o seu monte de sacos e dentro de cada saco, todos engalanados com laçarotes e autocolantes alusivos à quadra festiva, vinha uma Balbúrdia de brinquedos, jogos electrónicos, Guloseimas e peças de roupa diversa da alta custura.
Tratava-se de impressionar o diretor da empresa através das prendas a ofertar em especial aos filhos do mesmo.
Aquilo não devia ser uma competição mas, na realidade era o que parecia, quando chegou a altura da abertura dos "presentes".
De soslaio e disfarçadamente todos iam topando o que cada um trazia.
A sala estava quente, a mesa estava recheada de tudo o que qualquer especialista em gastronomia podia imaginar.
O ar era de expectativa e os sorrisos, artificiais na maioria, eram abundantes,.
Lá fora, na rua, a chuva caía a cântaros; Havia um leve nevoeiro que vinha subindo dos lados do rio, mas o frio era de fazer enregelar  tudo o que estivesse em contacto com ele.
Estáva-se em pleno Inverno.
Dentro da luxuosa mansão, os gritos das crianças pela euforia desregrada de tantas ofertas, as quais mais dia menos dia iriam atafulhar os vidrões que estavam no passeio em frente, eram ensurdecedores.
Cá fora, tilintando de frio, sob uma arcada, o sem-abrigo  meditava no muito que tinha tido e no nada que agora tinha.
Realmente o "muito" que a ele se referia não eram nem dinheiro, nem brinquedos nem aquela bagunça de caixas e caixinhas contendo "tralhas" que em grande parte as crianças nem sequer sabia como lidar com elas.
Ele referia-se ao calor humano que naquela Quadra Festiva costumava receber dos seus ente-queridos, antes de se ter transformado no "Farrapo Humano" que agora era.
Aquela tragédia que lhe tinha retirado toda a família tirou-lhe a vontade de viver.
 Pois na realidade também ele tinha sido menino embora, verdade seja dita, que jamais se tinha visto rodeado de um ambiente parecido com aquele que vislumbrava para o interior daquela mansão através das janelas. Mas, que diabo, também tinha tido os seus brinquedos.
Não é que tenham sido muitos, mas lembrava-se bem de um feito de madeira que os pais lhe haviam comprado na feira e que tinha a encimá-lo, um palhacito.
Era engraçado, pois o mesmo tinha uma roda  que ao girar  produzia uma música harmoniosa e obrigava o palhacito, preso por uns aramitos, a dar umas cambalhotas muito giras.
Era realmente uma beleza aquele brinqudo de madeira.
E tinha muitas saudades dele, sempre que a enxurrada de recordações lhe inundava a alma.
Lembrava-se do desgosto que tinha tido quando, passado algum tempo, o palhacito  se partiu e de tal forma que o pai não o conseguiu concertar, por muito que o tenha tentado.
Era muito engraçado e fez  inveja a muitos miúdos lá do bairro, os quais a troco de um rebuçado lhe pediam para dar uma voltinha com o mesmo.
Era engraçado porque o brinquedo com o seu palhacito, fez dele durante muito tempo, o miudo mais invejado do bairro.
De repente, como se tivesse estado a sonhar, acordou com uma agonia enorme e a saudade daqueles tempos e daquelas gentes inundou-lhe o espírito e amargurou-lhe a alma de tal forma que se esqueceu do frio e, olhando o céu, exclamou:
Oh Deus, tu que me vês e me ouves, Livra-me desta agonia!
Ajuda-me!
Ao longe, com voz sumida e triste, balbuciando  "um vulto de criança" tentava fazer-se ouvir, gesticulando para dentro da mansão.

 
E eu?
Toda a gente se esqueceu?

Ninguém se lembra de mim?
Foi para isto que eu vim?

Eu também sou menino!
Sou o que nasceu em Belém!
Não vos fiz nada de mal !
Sou a razão do vosso Natal!

Sou Aquele a quem chamais Jesus!
Que Maria numa gruta deu à luz.
E por que vós morreu numa cruz

Lembram-se? -Eu existo!
Não se lembram, está mais que visto
Mas eu vos digo,
O meu nome é Jesus Cristo


FAfonso

 

publicado por AALADOSNAMORADOS às 22:20
sinto-me: BEM
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