PROENÇA-A-VELHA
Evolução Histórica e Administrativa Até 1218 pertenceu a Idanha-a-Velha, a antiga Egitânia. 1218 - Em Abril de 1218 recebe foral de D. Pedro Alvites, mestre da Ordem do Templo, em carta concedida com beneplácito de D. Afonso II e D. Urraca.
04
Mar 10

 

PROENÇA-A-VELHA

 

O Senhor do Calvário

O ARRAIAL E AS GENTES

 

Do que foi, nada existe hoje.

O alpendre da Capela foi melhorado. Já não se vêem as telhas nem o varão de ferro que ajudava manter as vigas e onde me pendurei muitas vezes quando aos domingos, juntamente com jovens da mesma idade, rapazes e raparigas, ali nos deslocávamos para passar umas horas pelas tardes de verão.

Hoje está tudo mais bonito e mais moderno.

Os terrenos adjacentes à Capela eram bastante irregulares e a única coisa que se destacava era o Coreto onde se instalava a Filarmónica para abrilhantar o arraial com as suas músicas.

Era na verdade uma verdadeira festa. Todos se conheciam e todos se divertiam à sua maneira.

Havia uma bancada a que se dava o nome de "Ramo" onde se vendiam em especial, bolos e também algumas "rifas" e bebidas.

Aos mais jovens o que mais interessava era o "bailarico". Em contra-partida, os mais idosos agrupavam-se junto à bancada do "Ramo" e ali conversavam e bebiam uns "copitos".

Este local, o Senhor do Calvário, era também um destino muito frequentado pelos mais jovens, rapazes e raparigas, que ali se deslocavam e ali passavam várias horas, ou com as namoradas ou procurando arranjar namorada.

Era um tempo em que havia muita juventude nesta nossa Proença.

Não esquecer que por esta altura, década de cinquenta, haviam em Proença e em pleno funcionamento, três escolas primárias. Uma junto à Praça, outra na Capela de Santo António e uma terceira nas traseiras no primeiro andar, do Edifício da Igreja da Misericórdia.

Proença era na realidade uma Aldeia populosa e com muita vida.

Havia, que eu me recorde, cinco Sapateiros, seis tabernas, quatro barbeiros, quatro mercearias, diversos alfaiates, modistas, dois talhos e diversas outras actividades bem demonstrativas da actividade social que Proença-a-Velha possuía.

Do que acabo de referir, hoje não existe absolutamente NADA.

A pouca população que ali reside tem que se deslocar ou à Idanha-a-Nova ou um Castelo Branco para adquirir as coisas mais simples de que necessita para viver.

É verdadeiramente uma tristeza verificarmos o estado a que chegou uma terra onde há três ou quatro dezenas de anos tanta vida palpitava.

E mesmo para que esta pouca vida que tem exista, a mesma deve-se a duas ou três dezenas de habitantes que, com verdadeiro amor à terra, vão lutando para que a chama que iluminou os seus antepassados não se extinga.

Hoje tudo é diferente.

A Esplanada foi aplanada; há instalações sanitárias condignas e um bar local para servir os populares que ali se deslocam nos dias de festa.

Só falta a população residente.

De salientar em especial dois proencenses: -Francisco José Ribeiro da Silva – Presidente da Junta de Freguesia e João Adolfo Ramos Geraldes, Presidente da Assembleia de Freguesia.

Ao assistirmos a uma quadra festiva naquele recinto, constatamos que a grande maioria das pessoas não são proencenses e que por tal facto não se conhecem.

Todavia é minha convicção que, se as políticas seguidas pelos nossos governantes não for em alteradas, o que dificilmente me leva a acreditar, nem o esforço guerreiro destas gentes evitará o total abandono das terras da maioria do interior deste nosso querido Portugal.

 

 

FAfonso

 

publicado por AALADOSNAMORADOS às 15:27
27
Ago 09

 

 

 


 

RAÍZES


 

Para ti Proença com pedido de desculpa


 

Embora te não visitasse durante muitos anos, nunca te esqueci, terra querida.

Tu és a fonte onde mesmo em pensamento me refresco e sacio a minha sede.

És o bálsamo que me alivia a dor quando sofro.


 

É em ti que residem as minhas RAÍZES MAIS PROFUNDAS.


 

Como nas árvores são as raízes que as prendem à terra, também tu terra que foste o meu berço e o leito da maior parte dos meus ente-queridos, onde repousam para sempre, és e para sempre serás o reservatório onde nos momentos mais difíceis da minha existência, sempre busco e buscarei forças relembrando com saudade os anos que em ti vivi.


 

Há quanto tempo!


 

Se as saudades matassem, certamente que eu já não estaria vivo.

Porém, elas não só não matam como alimentam a vontade de voltar, dando assim ainda mais força a quem verdadeiramente as sente.

É por isso que eu voltei.

E que melancolia se apoderou de mim quando comecei a vislumbrar as primeiras casa deste aglomerado populacional a que há mais de oitocentos anos foi dado o nome de PROENÇA-A-VELHA.


 

Tu....


 

És o berço onde nasci

Onde os meus primeiros amores despontaram

És a terra onde cresci

Onde as imensas saudades que de ti tenho moram


 

Tu és a fonte da minha melancolia

Dos amores e da saudade que em ti vivi

Recordar-te nunca será uma ironia

Comigo viverás como sempre te conheci


 

Terra da minha infância passada

Tempo perdido que não volta

São as saudades imensas de quem te abraça

São as penas que o meu coração não solta


 

Tu és o elo que me liga a tudo

Tu és o reservatório da minha solidão

Para mim és o Carnaval e o entrudo

És tudo o que prende o meu coração


 

És a terra que alimentou a minha juventude

Onde os meus pais tanto labutaram

Em ti tudo vivi em plenitude

Até que de ti me separaram


 

Foram poucos os dias que aqui permaneci, devido a questões inadiáveis -a saúde não perdoa-.

No entanto, foram dias em que revivi os tempos da minha juventude aqui passados.

Quantas saudades senti!!!

Meu Deus como tudo é diferente!!

Os rapazes e raparigas com idades à volta da minha, tal como eu, já não têm as mesmas feições. Por isso, tive de socorrer-me da minha irmã e do meu cunhado para me servirem de cicerones, pois se assim não fosse eu não reconhecia ninguém.

Gostei imenso de ter voltado e prometo a mim mesmo que, sempre que me seja possível, voltarei.

Assim Deus me dê saúde a mim e aos meus.


 

As Festas do Senhor do Calvário são de uma beleza ímpar.

A ela acorrem muitos dos naturais que trazem consigo familiares que não conheciam nem a terra nem as Festas e muito menos as gentes.

Vêm também muitos forasteiros, em especial das terras vizinhas, onde, na maioria dos casos estas Festas Tradicionais se perderam.

Mas todos ficam encantados com as Festas e com os usos e costumes tão bem representados pelo Grupo Etnográfico de Proença-a-Velha Modas e Adufes, numa representação Teatral que para o efeito levaram à cena no Centro Cultural de Idanha-a-Nova

Para este Grupo e para todos os que tudo fazem para que Proença-a-Velha não morra, o meu muito obrigado.


 


 

Francisco Afonso

publicado por AALADOSNAMORADOS às 14:36
sinto-me: bem comigo
música: http://www.youtube.com/watch?v=HWmznqx2M8k
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