PROENÇA-A-VELHA
Evolução Histórica e Administrativa Até 1218 pertenceu a Idanha-a-Velha, a antiga Egitânia. 1218 - Em Abril de 1218 recebe foral de D. Pedro Alvites, mestre da Ordem do Templo, em carta concedida com beneplácito de D. Afonso II e D. Urraca.
17
Dez 11

 

TEMPO DE NATAL

 

Com o aproximar do fim do mês de Dezembro, aproxima-se também a data que os povos onde se professa a religião católica tem por costume comemorar o nascimento de Jesus:

O NATAL.

Todavia esta data vai perdendo quase tudo o que a tradição natalícia nos trazia, em especial no que respeita aos preceitos verdadeiramente religiosos.

Hoje, para a grande maioria das pessoas, mesmo para aquelas que se dizem professarem a religião católica, esta data é mais um dia para dar e receber prendas, a maioria das quais são de seguida metidas num armário qualquer lá de casa, do que a comemoração do nascimento do Menino Jesus.

Claro que me estou referindo àquelas famílias onde o dinheiro ainda é rei e por isso é gasto da forma mais desregrada que em nada se coaduna com a crise em que o país de encontra.

Mas......,e os outros? Aqueles que não têm emprego, que não têm esperança e que também têm família?

Como passaram esse dia as centenas de milhares de portugueses e mesmo milhões em todo o mundo, onde o dinheiro não chega nem sequer para uma refeição razoável?

Temos de concordar que vivemos num mundo em que o sentido humano se está perdendo a cada dia que passa.

Onde está a justiça que Aquele Menino durante 34 anos tentou incutir no espírito humano e pela qual deu a própria vida?

Para ti, para mim e de uma forma geral para todos nós, relembro algo que em tempos escrevi.

 

 

E eu?

Toda a gente se esqueceu?

 

Ninguém se lembra de mim?

Foi para isto que eu vim?

 

Eu também sou menino!

Sou o que nasceu em Belém!

Não vos fiz nada de mal !

Sou a razão do vosso Natal!

 

Sou Aquele a quem chamais Jesus!

Que Maria numa gruta deu à luz.

E por que vós morreu numa cruz

 

Recordam-se? -Eu existo!

Não se lembram, está mais que visto

Mas eu vos digo,

O meu nome é Jesus Cristo.”

 

 

FAfonso

 

publicado por AALADOSNAMORADOS às 23:19
10
Dez 10

 

 

 

Ele anda por aí.........

O Menino

 

ERA UMA VEZ...........

UM CONTO DE NATAL

 

Quando amanheceu, a criança chorava em silêncio e tremia com o frio que o vento gelado multiplicava vezes sem conta, visto vir dos lados da serra, que naquela época do ano estava coberta de neve.

A mãe, que embora fosse nova na idade parecia muito mais velha, arrastava-se agarrada a um pequeno cajado, tentava dar ânimo ao miúdo, seu filho, dizendo-lhe:

  • Não chores meu amor, que o pai deve estar a chegar do trabalho e talvez te traga alguma “coisa boa” para ti.

  • Chega-te aqui à lareira que já está acesa!

  • Lembra-te que ontem te disse que já só faltavam 2 dias para o Natal e o menino Jesus pode dar-te alguma prendinha!

Ao ouvir estas palavras o miúdo calou o choro, esqueceu o frio e, agarrado à pobre mãe, beijou-lhe as mãos e, com voz doce e meiga disse:

  • -Tu és a melhor mãe do mundo – e eu vou pedir ao Menino Jesus que te cure essa ferida que tanto te faz sofrer.

A mãe, mais uma vez acariciou o seu menino e, fechando os olhos agradeceu a Deus por lhe ter dado forças para, embora com imensas dificuldades, ir criando este pequeno ser que era para ela e para o António, seu marido, o maior tesouro do mundo.

Contudo, uma tristeza enorme apoderava-se do seu coração quando pensava que no dia seguinte era dia de Natal e que ela não tinha nada para oferecer ao seu menino.

Nessa noite, noite da Missa do Galo e à qual embora com dificuldade não queria faltar, era também a noite em que a quase totalidade dos habitantes da Aldeia fazia as habituais filhoses e ela mais uma vez não tinha possibilidades económicas para poder presentear o seu filho com aquela gulodice que, naquela noite todas as crianças e mesmo adultos gostavam de saborear em volta da lareira, enquanto as mesmas eram fritas.

Aquela maldita ferida da perna originada na queda da oliveira quando a escada se partiu durante a colha da azeitona, tinha se infectado ao ponto de ameaçar com gangrena a perna afectada e desta forma estava inibida de poder ganhar algum dinheiro, trabalhando no campo, como sempre tinha feito.

O seu menino, o Luizinho, não tinha consciência da extensão do problema que tanto a preocupava e, na inocência da sua tenra idade, todas as noites ia pedindo ao Menino Jesus que, para na Noite de Natal, lhe desse um carrinho para ele e a cura para a sua mamã, como ele carinhosamente a tratava sempre que a ela se lhe dirigia.

Com o aproximar da noite, o céu começou a ficar escuro e as nuvens carregadas indiciavam que grande trovoada e consequente chuvada estariam para chegar a qualquer momento.

A mãe do menino, a Filomena, começava a estar preocupada com a demora do António, seu marido, a chegar a casa.

É que ele tinha de passar as velhas poldras para travessar o rio e este, devido à invernia antecipada que se tinha abatido sobre a aldeia, já ia com um caudal bastante ameaçador para quem tentava passar de um lado para o outro.

Por isso e não só, pedia a Deus que o protegesse no regresso a casa e que nada de mal lhe acontecesse.

Claro que, sempre que se dirigia a Deus, não se esquecia de mencionar o seu menino e, entre outros pedidos, uma ajuda nem que pequena fosse, para o achaque da sua perna.

Mas o tempo ia passando e o António tardava em chegar

O Luizinho que até ali se tinha mantido entretido brincando com a andorinha, a gatinha que tinham em casa e que havia recebido o nome devido ao facto de ser toda pretinha e ter uma estrela branca na cabeça, de repente, como que impulsionada por uma forte mola, deu um salto do local onde estava sentado, correndo para a mãe, ao mesmo tempo que perguntava pelo pai, lembrando-se que normalmente o mesmo não costumava demorar-se tanto.

Ainda a preocupação do menino se não tinha dissipado e eis que o pai chega a casa.

Mas não vinha só.

Acompanhava-o um velhinho que tinha encontrado todo molhado na margem da ribeira, que, tal como ele, também atravessou as poldras mas havia caído ao passar a última pedra e por tal facto, além de se ter molhado completamente, ainda tinha algumas escoriações nas pernas e nos braços.

Lamentou-se à mulher e ao filho pela preocupação que lhes havia causado, mas lembrou-lhes que de forma alguma podia deixar abandonado aquele inesperado companheiro e, por isso, ajudou-o a caminhar e convidou-o a passar com eles a Noite de Natal e, caso ele pudesse, teria muito gosto em que os acompanhasse na celebração da Missa do Galo.

A esposa mal deixou o marido terminar a explicação e, abraçando-o, apenas disse: -

  • Fizeste o que o teu coração te disse e nós estamos todos contentes por teres tomado a atitude que tomaste. Apenas podemos dizer: - Deus seja louvado para sempre!!

De seguida e com uma pequena vénia de subserviência, deu as boas vindas ao visitante, ao mesmo tempo que se ia desculpando pela humildade que reinava na sua pobre casa, e o convidava a sentar-se junto à lareira no velho banco de madeira que já havia servido os seus pais e avós.

Dito isto, dirigiu-se para o quarto, acompanhada do marido, procurando roupas enxutas para que o idoso convidado pudesse vesti-las e assim ficar mais confortável e aconchegado,

O velhinho, enquanto ouvia a explicação que o inesperado amigo dava à esposa e ao filho, assim como as justificações da sua esposa para a pobreza em que viviam, manteve-se calado, com os olhos cravados no chão daquela pobre casa, ao mesmo tempo que, com alegria incontida, ia germinando em si a ideia melhor para dar um pouco de alegria àquela pobre mas boa família.

É que ali, naquela humilde família reinava algo que lamentavelmente começava a ser raridade naquele mundo em que viviam.

O menino estava estupefacto com tudo o que se estava passando em seu redor e com alguma tristeza verificava que o centro das atenções naquela noite, não era ele mas sim um velhinho que ele não conhecia mas, lá no seu íntimo, algo lhe dizia que não devia ser um verdadeiro estranho e que, o que mais lhe causava impressão era aquele ar de bondade que dele irradiava.

Como criança irrequieta que era, como aliás a maioria das crianças na sua idade são, aproximou-se do inesperado visitante e desatou em fazer perguntas:

  • Como te chamas?; Quem és tu velhinho?; O que fazes?; Onde vives?;Como te molhaste?

O velhote, ainda encharcado, olhou a criança com carinho e foi respondendo

  • Eu já fui menino como tu és agora. Também os meus pais não tinham muitos haveres e pouco tinham para me oferecer a não ser muito amor e compreensão. Depois, à medida que ia crescendo fui-me apercebendo que, tal como eu, havia muitos meninos que nada tinham a não ser o carinho e o amor dos seus pais.

  • Mas tu “Meu Filho” tens uma enorme riqueza entre as paredes da tua modesta casa, que muitos meninos que vivem em abundância não têm. Tu tens o carinho e o amor dos teus pais que é a maior das riquezas.

  • Por isso deves imitá-los, apoiá-los e acarinhá-los sempre e em especial quando forem velhinhos.

  • Lembra-te sempre deste meu conselho!

  • Lembra-te sempre de mim!

  • A maior riqueza que nos podem dar está nos nossos corações.

  • A minha casa é o mundo e não tenho lugar certo; sou um viajante solitário e passo os dias deambulando de um lado para o outro.

  • O meu trabalho é invisível e raramente alguém se apercebe dele. Só pessoas de bom coração e de espírito aberto conseguem compreender o que faço e louvar as minhas acções.

  • Eu não me molhei ao atravessar o rio porque eu passo sobre as águas e não me afundo.

  • Eu fingi que tinha caído ao rio e molhei-me porque queria conhecer-te a ti e aos teus pais.

  • Por isso esperei que o teu pai chegasse e me convidasse a segui-lo

  • Mas tu, nada disto que eu te acabo de contar vais dizer nem ao teu pai, nem à tua mãe, nem a ninguém.

  • Porque EU SOU AQUELE QUE SOU e tu e a tua família vão lembrar-se sempre de mim.

  • Vão lembrar-se sempre do velhinho que o teu pai acarinhou e levou para casa, onde foi vestido e aquecido, não com as roupas enxutas e com o calor da lareira, mas sim com o calor das vossas almas e dos vossos corações.

A criança ouviu a narrativa do velhinho e, prometeu que nada diria a ninguém. Apenas retorquiu, balbuciando.

  • Mas tu velhinho, que passaste sobre as águas do rio sem te afundares, não podes ajudar a minha mamã que sofre tanto com o mal que tem na perna?

  • Faz lá, como se diz, um milagre!

  • Ajuda a minha querida mamã para que desta forma ela possa às vezes brincar comigo!

O Velhinho acariciou os cabelos da criancinha e prometeu que iria fazer tudo o que pudesse para ajudar a sua mãe, logo que possível; mas que não devia desesperar, pois ele tinha muitos pedidos de ajuda.

Mas que descansasse, pois ele não se esqueceria.

Entretanto os pais do menino chegaram do quarto, depois do pai ter mudado de roupa e pediram ao velhinho para entrar no quarto e vestir as roupas enxutas que estavam sobre a cama. Acrescentaram que pediam desculpa por a mesma já ser muito usada mas, como eram pobres tinham que usar as coisas até ao limite.

O visitante agradeceu e foi trocar a sua roupa molhada pela enxuta, ao mesmo tempo que lhes lembrava que também ele era pobre, não estar habituado a roupas novas e, como tal não lhes deviam pedir desculpa e acrescentou que estava muito agradecido pela forma hospitaleira como o estavam tratando.

De seguida e após terem comido do pouco que havia em casa combinaram entre eles que, como estava a chegar a meia-noite, se deviam ir aproximando da Igreja para assistirem e colaborarem na Missa que, por ser Noite de Natal, era conhecida por Missa do Galo e eles por nada a queriam perder.

Seguiram em silêncio e quando estavam já próximos da Igreja, o velhinho alegando que estava muito cansado, com sono e cheio de frio, pediu que o desculpassem mas que o deixassem voltar para casa para junto da lareira.

Todos concordaram e assim o velhinho voltou para casa.

Finda a Missa o menino e os seus pais regressaram a casa e eis que, mal abriram a porta, depararam com uma enorme cesta de filhoses, ainda quentes, com um lindo carrinho feito de madeira como o Luizinho tanto ambicionava, com um grande saco cheio de roupas novas e, sob este saco um papel onde se podia ler:

  • Alguém que eu não conheço deixou estas lembranças de Natal para vós!

  • Tu Filomena, deita fora o teu cajado, pois não necessitas dele.

  • Tive que sair mais cedo por isso peço a compreensão e agradeço a vossa hospitalidade.

  • Nada procuraste saber sobre mim e abriste-me a porta da vossa casa como se minha fosse.

  • Nem o meu nome sabíeis e deste-me muito do pouco que tendes

  • Mas eu vos digo:

     

  • EU SOU AQUELE QUE SOU.

     

Ao ouvir aquilo que o pai ia lendo, na cabeça da criança um turbilhão de pensamentos e recordações começavam a fazer sentido e, lembrando-se do que tinha ouvido no Sermão da Missa da Meia-noite, interiorizou que aquele velhinho, que também tinha sido menino pobre, era muito parecido com o Menino do Sermão.

Era muito parecido com o Menino Jesus.

Certamente Ele era o Menino Jesus feito Homem

 

E eles, em uníssono, levantando os olhos ao céu e em alta voz, louvaram a Deus por tudo o que lhes tinha dado.

Todos estavam cientes que o velhinho que haviam acolhido em sua casa era o Menino Jesus feito Velhinho.

 

 

FAfonso

10-12-10

     

publicado por AALADOSNAMORADOS às 12:18
sinto-me: bem
03
Dez 08

 

 

 

(Narrativa de um Natal emProença a Velha

 

 

 

 

 

 

 NARRATIVA DE NATAL

 

 

 

 

Havia no semblante das pessoas algo de especial que pronunciava o aproximar de uma quadra que na alma das gentes daquela terra do interior fazia acelerar o bater dos corações.

 

 

 

 

  • Naquela aldeia não havia neve, todavia a vida palpitava.

As árvores não se apresentavam cobertas de branco e as crianças não brincavam às bolinhas de neve.

Era o Natal que se aproximava em largas passadas.

  • Começavam a ouvir-se, aqui e ali, aquelas quadras natalícias, características da época que se aproximava.

Contudo, naquela aldeia beirã não havia supermercados com montanhas de brinquedos, nem carteiras recheadas de dinheiro.

  • Na sua grande maioria os habitantes eram pessoas de pequenas posses económicas, pois na quase totalidade, trabalhavam na agricultura que, como em todo o Portugal, era muito mal remunerada.

(Aliás, ainda hoje o mesmo se passa).

  • Havia frio, havia muita chuva e havia também o desejo que o Menino Jesus viesse com boas novas.

Pedia-se saúde e o "pão de cada dia" para todos.

  • As crianças e não só, aguardavam pela noite de natal, sonhando com as filhós, com a missa do galo e com o calor que o "Madeiro" prostrado frente ao Cemitério iria proporcionar.

A rapaziada, jovens entre os quinze e os vinte e tal anos não davam descanso às silvas secas que encimavam as paredes dos "chãos" em redor da Igreja Matriz.

  • Era com elas que iam ateando fogo ao velho, grande e apodrecido tronco de sobreira que, naquele tempo, unicamente sob força humana, era trazido da "Tapada do Marquês" até junto da Velha Igreja Matriz no chamado e festejado "Dia do Madeiro".

Entretanto, o pastor, mesmo ao frio e à chuva, tinha que diariamente levar o seu rebanho para as encostas onde havia alimento para o mesmo, mas onde o vento gelado mais se fazia sentir.

  • Ali, naquela aldeia, que era a minha, não havia a euforia dos sacos cheios de compras. Mas ali, naquela aldeia beirã, havia uma comunhão das realidades sociais que hoje, tudo visto à distância de largos anos, tenho de concordar que além do mais, havia amor e amizade entre as pessoas; bens que nos tempos que correm, vão rareando.

Naquela aldeia, que era a minha, eram raríssimos os lares onde não se faziam as desejadas e festejadas filhós.

  • Regra geral as excepções eram aqueles que estavam de luto recente, os muito idosos e aqueles, -que também os havia, -que de tão pobres que eram-, não tinham posses para as fazerem.

Contudo, era hábito que estas pessoas não ficassem sem as muito desejadas filhós. Pois era normal ver os vizinhos com um prato coberto com um napperon bordado em linho branco, levar sob o mesmo entre meia dúzia e uma dúzia daquela especialidade Natalícia de que todos tanto gostavam.

  • De tal forma que, chegava a ser natural que essas pessoas não fazendo filhós, chegassem a ficar com maior quantidade do que se as fizessem. 

Árvores de Natal? Enfeites de Natal? Imagens de Natal? Naqueles tempos e naquela aldeia esses luxos não existiam.

  • Mas, em muitos lares, arranjava-se um pinheirinho, uma cesta de musgo que se apanhava no campo e faziam-se umas imagens em papel que representassem a Senhora, o Menino, São José, o burrinho a vaquinha e outro animais e assim se tentava fazer uma "reprodução "daquilo" que se terá passado em "Belém da Galileia" há dois mil e oito anos.

Este era um Presépio feito de amor e realidades. Sem luzinhas a piscar mas, aqui e ali com "tocos" de vela acesos para iluminar as figuras feitas de papel, que animavam a alma daquelas gentes simples mas de convicções religiosas profundas.  

  • Na Igreja Matriz, à meia-noite, realizava-se a Missa do Galo que, embora o frio e ou a chuva fosse muita, não impedia que a Velha Igreja se enchesse daquelas gentes simples e algo rudes, mas que acima de tudo ponha a sua Fé no Menino que naquela noite ia nascer. 

E, na sua Fé, ternura e simplicidade, iam cantando

 

Ó meu Menino Jesus 

Ó meu Menino tão Belo

Logo vieste nascer

Na noite de caramelo

 

 

 

 

03-12-08

 

Francisco Afonso

publicado por AALADOSNAMORADOS às 13:55
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